Ricardo Kaphê assume
a função de Diretor Esportivo Off
Road da Kawasaki do Brasil
[fonte:www.motox.com.br]
Quem acompanha de perto o motocross nacional
pode até não conhecer o piloto
Ricardo Sebbe, mas se falarmos seu apelido,
"Kaphê", certamente você
conhece ou já ouviu falar. O veterano
piloto, que atualmente disputa a classe MX3,
parte agora para mais um novo desafio em sua
carreira no motociclismo. Em 2010, Kaphê
passa a ser o Diretor Esportivo para o segmento
Off Road da Kawasaki do Brasil.
Sua função será assessorar
a montadora nas competições
fora de estrada, cuidando das contratações
de pilotos, apoios, patrocínios para
eventos, acompanhanado a equipe durante
as competições, além
das demais funções ligadas
a este segmento. Sua primeira missão
a frente do novo cargo foi definir os primeiros
pilotos da equipe oficial de motocross da
Kawasaki, que conta até o momento
com os irmãos Marcello "Ratinho"
e Eduardo "Dudu" Lima competindo
nas classes MX1 e MX2, respectivamente.
Acompanhe a seguir a conversa que tivemos
com Kaphê, onde ele fala de sua carreira
sobre as duas rodas e o que espera deste
ano do motociclismo no país e em
sua nova atividade.
Antes de falarmos sobre este seu novo
desafio e sobre 2010, gostaríamos que
contasse um pouco de sua história como
piloto.
Comecei a correr com 16 anos, com uma DT 180cc
em 1985, participando do Campeonato Regional
de Motocross. Nestes anos competindo, participei
de vários campeonatos importantes que
já foram realizados em nosso País
e que nos deixam muita saudade como Hollywood
Motocross, Skol Supercross, Campeonato Brasileiro,
Campeonatos Estaduais em São Paulo,
Minas Gerais e Rio de Janeiro.
Conquistei vários títulos
estaduais, Campeão Paulista, Tri-Campeão
Sul Mineiro, Bi-Campeão Carioca,
Campeão Amador Dirt Action, Campeão
Kawasaki Open. Não posso deixar de
citar alguns pódios conquistados
em etapas do Campeonato Brasileiro. Agradeço
muito ao esporte, pois tive a oportunidade
de conhecer várias pessoas e culturas
diferentes. Praticamente conheci o Brasil
inteiro participando de competições.
Nestes anos representei algumas marcas,
sempre tive muito comprometimento e fidelidade
com meus patrocinadores e apoios.
Você competiu por
algum tempo com modelos da Kawasaki. Quais
os pontos fortes que você destaca nas
motocicletas cross da marca?
Acredito que a Kawasaki foi a marca que
mais evoluiu nos últimos anos, principalmente
nos modelos KXF 450. É bom lembrar
que este modelo foi lançado em 2006
e desde 2009 é considerada a melhor
da categoria. O ponto forte da marca Kawasaki
sempre foi a ciclística e as suspensões,
mas em 2009 o motor me impressionou muito
pela força e durabilidade.
Como surgiu o convite para esta nova
função na equipe?
No final de 2008 o Sr. Marcelo Barbosa, proprietário
da American Cross, me apresentou um projeto
na qual eu participaria do Campeonato Amador
Dirt Action 2009, evento este patrocinado
pela Kawasaki e organizado pela Extreme Racing.
No período das competições
tive a oportunidade de conhecer o Sr. Ricardo
Suzuki, Gerente de Marketing da Kawasaki Brasil
e sempre conversávamos sobre a possibilidade
da marca investir em uma equipe oficial de
Motocross, como acontece em outros Países.
Após a última etapa do Amador
Dirt Action, tivemos algumas reuniões
no escritório da Kawasaki em São
Paulo, quando o Sr. Ricardo Suzuki alegou
que a empresa não possuía uma
pessoa com experiência e conhecimentos
específicos voltados para as competições
off road, sendo assim me ofereceu o cargo
para prestar assessoria esportiva.
Quais serão sua atribuições
dentro da equipe e qual será o suporte
dado pela Kawasaki do Brasil ao time?
Estarei sempre presente nos Campeonatos
Brasileiro de Motocross e Supercross, vistoriando
o investimento da Kawasaki junto à
equipe, para que nada falte aos nossos pilotos.
Neste primeiro ano forneceremos o número
necessário de motos para que os pilotos
possam competir com condições
reais de disputar os principais títulos.
Esta é a primeira vez que a
Kawasaki tem um time realmente oficial aqui
no Brasil, o que você espera desta
primeira temporada da equipe?
A Kawasaki, para viabilizar o projeto da
equipe, conta com o investimento da empresa
Vaz Helmets, a equipe chama-se Vaz Kawasaki
Racing Team. Neste primeiro ano esperamos
obter a consolidação da marca
no cenário nacional, quanto aos resultados,
sabemos do altíssimo nível
de competitividade dos campeonatos que disputaremos,
mas estamos confiantes, temos a informação
que nossos pilotos foram os primeiros a
receber as motos.
Sabemos que Ratinho e Dudu
Lima integrarão a equipe nas categorias
MX1 e MX2 do motocross. O time já está
fechado ou novos nomes virão?
Para as categorias MX1 e MX2 o time já
esta fechado, mas estamos estudando outras
propostas para as categorias de base. Analisamos
todos os currículos recebidos, realizamos
uma triagem com critérios rígidos
para as contratações de pilotos.
Primeiramente analisamos a performance do
piloto nos últimos anos e o objetivo
proposto, mas temos uma enorme preocupação
com a conduta do atleta dentro e fora das
pistas.
E nas demais categorias Off Road como
Enduro FIM, Regularidade, Cross Country,
entre outras, a Kawasaki também terá
pilotos oficiais?
A Kawasaki no seu primeiro ano não
importou os modelos KLX, que são
apropriadas para este tipo de modalidade.
Estamos viabilizando um lote deste modelo
para que possamos contratar alguns pilotos
para representar a Kawasaki em todas as
categorias off road.
Como será a estrutura e os apoios
que a equipe contará para este ano?
A equipe Vaz já possuía uma
estrutura própria e altamente funcional.
Nosso chefe da equipe tem toda liberdade
para fechar os parceiros necessários
para viabilizar o projeto. Atualmente já
estão firmados a Rinaldi, IMS, American
Cross, Motul, Emg Suspensão, Transmor,
Vertex e Slin Grafics. Temos ainda, um projeto
para viabilizar um centro de treinamento
para os pilotos contratados pela Kawasaki
e proprietários de motos da marca.
Depois de um período de incertezas,
em 2010 o motocross nacional tem tudo para
decolar. Além do Brasileiro de Motocross
e do crescimento constante das competições
regionais, foi criado mais um campeonato de
âmbito nacional, a Superliga de Motocross.
Como você vê o cenário
atual das competições?
Com a criação da Superliga
haverá uma concorrência natural,
que no meu ponto de vista é fundamental
para o crescimento de qualquer atividade,
tanto esportiva quanto econômica.
Para que seja uma concorrência saudável,
os organizadores devem ser íntegros
e profissionais, a imparcialidade dever
ser soberana. Temos que observar o alto
custo para a participação
das equipes nos campeonatos, acredito que
poucos pilotos privados ou equipes satélites
terão condições financeiras
de completarem os dois campeonatos. Nossos
pilotos participarão das duas competições,
visando uma melhor preparação
para representar o Brasil na etapa do Mundial
que será realizada em Campo Grande
(MS) e integrar a Equipe para o Nações.
De quais competições
a equipe Kawasaki participará?
Participaremos do Catarinense de Supercross
e Motocross, Brasileiro de Supercross e
Motocross, Super Liga de Motocross e ainda
nosso Chefe de Equipe está negociando
com o Promotor do Arena Cross a participação
da equipe.
Você acredita neste momento em um
crescimento do motociclismo nacional? O que
você diria a potenciais patrocinadores
e investidores do esporte?
Acredito que o motociclismo nacional vem
crescendo gradativamente ao longo dos anos,
é um crescimento lento, motivado
pelas dificuldades enfrentadas pela atual
Diretoria da CBM em organizar a entidade.
Aos patrocinadores e investidores, primeiramente
agradeço a confiabilidade e apoio
ao nosso esporte, porém gostaria
que as negociações fossem
realizadas de forma cristalina e os valores
investidos fossem informados a Associação
de Pilotos (ABPMX).
Voltando ao Kaphê piloto, você
continuará competindo este ano?
Se o calendário permitir vou defender
meus títulos no Campeonato Amador
Dirt Action, conquistado em 2009, e recuperar
o título no Estadual do Rio de Janeiro,
mas minha prioridade hoje é honrar
o meu contrato com a Kawasaki Brasil.
E como será conciliar a paixão
por pilotar com a nova função,
que conta com um calendário puxado,
repleto de provas?
Após o convite da Kawasaki passei
alguns dias no litoral com minha família,
refletindo para tomar a decisão.
Estou muito preparado para a nova função,
são fases em nossas vidas e eu me
sinto privilegiado em poder parar de competir
e ainda trabalhar para uma grande marca
como a Kawasaki.
Desejamos boa sorte e sucesso com o
novo time.
Gostaria de agradecer a Deus e a minha
família primeiramente. Agradeço
todas as pessoas que contribuíram
para o meu crescimento dentro e fora das
pistas. Agradeço muito às
empresas Kawasaki, American Cross, Speed-Up,
Temper Campos, Thor - Brasil Racing, Circuit,
Vaz e Dash Adesivos.
Texto: Renato Fernandes
Fotos: Ronaldo Sampaio e Maurício Arruda